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Torre de Dona Chama foi elevada à categoria de vila em 30 de Junho de 1989 pela lei nº 51/89 de 24 de Agosto.Está localizada no coração do Nordeste Transmontano a cerca de 400m de altitude nos limites da Terra Quente, próximo da confluência dos rios Tuela e Macedo.Foi sede de concelho até 1855, altura em que passou a fazer parte do Concelho de Mirandela, do Distrito e Diocese de Bragança. A sua origem perde-se no tempo e até o próprio nome, Torre de Dona Chama, sugere histórias antigas de guerras e lendas de mouras encantadas. Testemunhos vivos da antiguidade são as ruas estreitas com casa de granito enegrecido, o Pelourinho, o Castro de S.Brás, a Ponte Romana e um largo junto ao pelourinho com uma porca de pedra, semelhante à porca de Murça, ao que os historiadores referem como sendo um culto de fertilidade apelidada de "Berrôa". Pela sua localização privilegiada é o centro de uma região/comunidade predominantemente agrícola, minifundária, onde ainda se vai fazendo uma agricultura de subsistência, abragendo aldeias dos concelhos de Mirandela, Macedo de Cavaleiros e Vinhais. Talvez por arrastamento do que acontece a nível nacional, nos últimos anos estas sedes de concelho têm desenvolvido políticas concertadas e centralizadoras que esvaziaram as regiões rurais e Torre de Dona Chama tem vindo a perder importância dentro da região. Dispõe de serviços que justificadamente a diferenciam das localidades vizinhas: Posto Médico, Farmácia, Balcão de Segurança Social, Posto da G.N.R., Agências Bancárias, Bombeiros Voluntários, Associação Cultural e Recreativa, Lar/Centro de Dia para idosos, Correios, escolas com ensino até ao 12º ano, pequenas indústrias e uma actividade comercial que, apesar das dificuldades, se tem mantido. |
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| "Dom Denis pela graça de Deos Rey de Portugal e do Algarve. A todos aqueles que esta carta vyerem faço assaber que eu faço carta de foro pera todo o sempre a todolos pobradores da mha pobra que chamam a Torre da Dona Chamoa assy aos presentes come aos que am de vyr per tal preyto e sotal cindiçom que eles façam hy villa e aiam a tal foro come os da mha pobra de Mirandela saluo que lhys faço esta d'melhoria e de graça e de mercee que mi dem os meyos dos foros prymo dia de oytubro e os outros meyos primo dia de março, e mando que aiam por termho todolos termhos nouos e uelhos que pertencem adita Torre de Dona Chamoa quantos hy ora som conheçudos e os poderem seer achados adeante. E esses pobradores deuem affazer essa villa e muralhala de muro. E se eu hy quiser fazer alcaçeua fazela per mim e fazela guardar per mha custa. E eles deuem meter Juyzes per si que façam justiça e que a compram, e deuo eu hy meter meu Pobrador que pobre a terra. E se poder achar e uencer per dereito algüus meos herdamentos que mi dizem que mi teem enalheados en essa terra, outorgo que seiam seu termho da dita Pobra. E eu dou prazo de mi nom darem foros os que ia hy probarom deste Sam Miguel primeyro que uem da era desta carta ata dous anos conprydos. E dem a mim taes foros come os da dita Pobra da Torre de Dona Chamoa. E todolos outros que hy ueerem pobrar adeante nom mi dem os ditos foros do dia que começarem apobrar e a fazer as casas ata dous anos conprydos. E desy adeante dem amim e atodos meos successores os ditos foros y retenha para mim o Padroado da Eygreia ou Eygreias que hy forem feytas e ata dita villa deuem prouer a eygreia de Crelligo pelos dereitos da Eygreia, e nom lhys deuem hy apousar Ricomem, nem cavaleiro, nem outro homem poderoso que lhys mal faça nem lhys filherem do seu sen seu grado, assy na villa come nas aldeyas so pena dos meus encoutos, salvo se o conprar comunalmente per apreçamento dos Joyzes. E deuem filhar portagem assy como a filham os de Mirandela. E eles nm deuem uender nem en nen hüua maneyra alhear nem dar os ditos herdamentos nem parte deles à Ordem, nem abade, nem a crelligo nem a cavaleiro, nem a dona, nem asccudeiro, nem a nen hüua religiosa se nom a atal pessoa que faça assim e a todos meos successores cada ano o dito foro. En testemoÿo da qual cousa dey ende aeles esta mnha carta seelada do meu seelo de chumbo. Dante en Lixbõa XXV dias de Abril. Elrrey o mandou. Domingos Perez afez. Era M.ªCCC.ªXXV.ª" (Chancel. de D.Denis, Liv.1,fls, 198 e v.) |
Tradução D.Dinis pela graça de Deus Rei de Portugal e do Algarve, a todos aqueles que esta carta virem faço saber que eu faço carta de foral para todo o sempre a todos os povoadores da minha povoação a que chamam Torre de Dona Chama, assim aos presentes como aos que hão-de vir por tal proveito e sob condição que eles façam aí vila e tenham foral como os da minha povoação de Mirandela, excepto que lhe faço aí melhorias graças e mercês que me dêem metade dos tributos no primeiro dia de Outubro e a outra metade no primeiro dia de Março. E mando que tenha por termo todos os termos novos e velhos que pertencem à dita Torre de Dona Chama, aqueles que agora são conhecidos e os que vierem a ser conhecidos posteriormente. E esses povoadores devem fazer essa vila e muralhá-la de muro e se eu aí quiser fazer castelo faço-o por mim e guarda-lo-ei à minha custa. E eles devem nomear juizes por si próprios que façam justiça e que a cumpram e devo eu aí meter povoador para povoar a terra. E se ele puder restituir à coroa algumas das minhas terras que me dizem andarem "desviadas" ordeno que passem a ser termo da dita povoação. E eu dou prazo de me não darem tributos os que já aí moraram desde S.Miguel primeiro que vem da era desta carta até dois anos cumpridos e dêem a mim tais tributos como os da dita povoação da Torre de Dona Chama. E todos os outros que a vierem povoar não me dêem os ditos tributos senão desde o dia que começarem a povoar e a fazer casas até dois anos decorridos, e daí em diante dêem a mim e a todos os meus sucessores os ditos impostos. Retenho para mim o padroado da igreja ou igrejas que aí se fizerem e os dessa vila devem colocar padre na igreja segundo os direitos da Igreja. E não deve aí alojar-se nenhum rico homem, nem cavaleiro, nem outro homem poderoso que lhes faça mal, ou que se apodere do que não é seu sem o seu consentimento, tanto na vila como nas aldeias sob pena das minhas punições, salvo se o comprar de acordo com o valor dos juízes. E devem cobrar portagens como cobram os de Mirandela, e não devem vender, nem de modo algum alhear, nem dar, as ditas terras nem parte dela a ordem, nem abade, nem clérigo, nem cavaleiro, nem dama, nem a escudeiro, nem a nenhuma pessoa religiosa excepto às pessoas que paguem a mim ou aos meus sucessores cada ano os ditos tributos. Para testemunhar o que dei dou-vos esta minha carta selada com o meu selo de chumbo. |

As festas mais significativas no carácter religioso e tradicional |
Torre de Dona Chama sempre foi muito ciosa das suas tradições e das suas festas que demonstram a sua religiosidade, porém há duas festas que sobressaiem, que iremos descrever. |
Festa de S. Brás |
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No monte sobranceiro à vila fica a airosa e ancestral capela de S. Brás, situada dentro do "Castro", sendo embora de construção posterior, ela manifesta bem alto e bem ao longe, a sua austera dignidade. Celebra-se esta festa à volta do dia 3 de Fevereiro e é precedida da festa de Nossa Senhora das Candeias. Um ditado popular convida os habitantes aos festejos: "Primeiro, jejuarás, dois guardarás, e três irás a S. Brás".É de salientar o seu carácter regional, pois ai acorrem romeiros de toda a zona serrana e das circunvizinhanças da vila. A procissão torna-se uma manifestação imponente de fé dos seus participantes. A simplicidade das heras no andor de S. Brás dá-lhe uma dignidade natural. Os animais acompanham também a procissão, levados pelos seus donos, que os entregam ao cuidado e vigilância do Santo. A missa campal e a procissão à volta do antigo "Castro" fazem reviver a fé dos antepassados, que é continuada ontem como hoje. Termina a festa com o tão significativo partilhar das merendas de todos em fraternal convívio. S. Brás está satisfeito por ter em seu redor estes seus fieís. |
Festa do Divino Senhor Dos Passos |
| Celebra-se no segundo fim-de-semana (Sábado e Domingo) de Agosto. Festa cívico-religiosa. Aqui veste a vila as suas galas, enche-se de música e cor para festejar com os seus conterrâneos e com os seus emigrantes. É a festa que tem mais sabor cívico do que religioso, pois reveste-se de um carácter cultural e recreativo à volta do factor religioso |

Lenda de Torre de Dona Chama |
| À sombra de um castro antigo, da vertente do monte de S. Brás para as chãs situadas entre o rio Tuela (a 3 km) e a ribeira do Moinho (a 1,5 km), nasceu uma princesa. Seus olhos são cor de mel, a cor da planura fértil das algas que escorrem sustento e riqueza; de oiro são os seus cabelos - os olivais e vinhedos beijados meigamente pelo Sol da Terra Quente. Da mulher sua homónima roubou o nome, a fidalguia, a mansão acastelada, mas de moura fez-se cristã. Chamam-lhe e Chamam-na de Torre de Dona Chama.Nela, o tempo fundiu-se, fez-se perenidade e o passado, o presente e o futuro deram as mãos. Anterior à nacionalidade, Torre de Dona Chama tem a envolvê-la o mistério e o romantismo das pedras gastas pelo tempo. O seu berço foi o monte de S. Brás onde existiu outrora um castro, porventura celta, seguramente luso-romano também. No lugar do castro chegou a existir um castelo ou torre, e segundo a lenda ali habitava uma moura de nome D. Chama, o que para alguns entendidos, justificaria a origem do topónimo Torre de Dona Chama. Dos tempos anteriores à nacionalidade, aliás, ficou, para lá das ruínas do castro, a ponte romana sobre o rio Tuela, na estrada para Valpaços. Elevada a Concelho por D. Diniz, em 1287, que lhe deu foral em 25 de Abril desse ano, depois confirmado em 25 de Março de 1299, nessa condição se manteve até ao século passado, sendo o concelho extinto por decreto de 24 de Outubro de 1855. Terra de nobres e fidalgos, ela foi pertença de Fernão Mendes "O Velho" e seus descendentes até D. Pedro Fernandes de Bragança e posteriormente de Gonçalo Vasques Guedes (senhor de Murça) e seus descendentes. Atestando a sua fidelidade e fidalguia, vem dos finais da Idade Média um monumento que orna a sua praça principal - o pelourinho, ladeado da porca ou berroa (que segundo especialistas será antes uma ursa). A Torre de Dona Chama do presente é uma terra laboriosa, vivendo sobretudo da agricultura e do comércio, mas com sinais evidentes de desenvolvimento industrial. Distante cerca de 25 km de quatro Concelhos (Mirandela, Valpaços, Macedo de Cavaleiros e Vinhais) ela ocupa, por isso, um lugar privilegiado, e ímpar na região nordestina, o qual lhe permite ansiar por um desenvolvimento a que faz jus. E, atento todo este circunstancialismo, por ai se vê a importância da prática desportiva, de entre a qual ganham destaque a da caça e a da pesca. Dois belos rios, de margens pejadas de árvores frondosas dão-lhe condições para que seja lá hoje ponto especialmente procurado pelos pescadores das redondezas: por outro lado, as chãs e pequenos montes e elevações do seu terreno. Onde o manto rasteiro campeia e é local privilegiado para o desenvolvimento cinegético, tornam-na de eleição para os caçadores. |

Poema de Torre de Dona Chama |
